Saturday, October 27, 2007

xxv - Romanisches Café

O Café da República de Weimar


Mulher anónima a solo no Café Românico, 1924

O Café des Westens, Café do Oeste (Oeste de Berlim, entenda-se)
aberto em 1898 e encerrado em 1915, tinha sido o café literário mais
em voga da capital alemã durante uma breve geração, na chamada
Belle époque. Pouco antes da I Guerra Mundial, a imprensa
nacionalista e conservadora berlinense começou a atacar a sua
clientela de artistas e literatos. Alcunharam-no de Café Megalomania
(Café Grössenwahn), copiando a alcunha dada trinta anos antes em
Viena a outro café literário, o Griensteidl. O Café des Westens foi
encerrado pelo seu proprietário em 1915 por razões não totalmente
esclarecidas. O dono foi abrir um estabelecimento homónimo noutro
local de Berlim, mas com perfil de café concerto. A antiga clientela
“megalómana” não gostou da nova fórmula e procurou outro sítio
para assentar arraiais. Não longe do Megalomania, também no
bairro de Charlottenburg, descobriram o local ideal.


Romanisches Café por volta de 1920

O Romanisches Café, Café Românico, assumiu gradualmente o
papel do Café Megalomania como lugar de encontro favorito dos
intelectuais, artistas e boémios durante os anos da República de
Weimar (1919-1933), período dourado das artes e letras alemãs
no século XX. Uma velha maldição devia pesar sobre esta linhagem
de locais conviviais, pois o Românico não sobreviveu, como café
literário, ao triunfo do nazismo e o prórpio edifício em que se
encontrava também não sobreviveu a um bombardeamento da cidade
pela força aérea britânica, em 1943. Já lá iremos.

O nome do Café Românico devia-se simplesmente ao nome do
edifício em que estava instalado, a Romanisches Haus, construída
em estilo neo-românico em 1900-1901. O edifício situava-se por
sua vez em frente da Igreja Memorial do Imperador Guilherme,
construída igualmente em estilo neo-românico em 1891-1895,
também destruída pela aviação britânica. Toda a praça Augusta
Vitória (do nome da imperatriz),
em cujo centro se situava a igreja,
era em estilo neo-românico e toda ela foi destruída em 1943. Havia
outro Edifício Românico do lado oposto da praça, construído em
1896, onde funcionou nos anos 1920-30 o Café Trumpf e o cinema
Gloria-Palast, no qual foram estreados os mais famosos filmes
alemães da época, como “O Anjo Azul” (1930) com Marlene Dietrich.
Tudo seria arrasado pela guerra. Quase nada restou do que se vê
nas fotografias.


A Praça Augusta Vitória em 1935, com a igreja e os dois edifícios românicos


O cinema Gloria-Palast e o Café Trumpf em 1936

O Café Românico começou por ser pastelaria antes de, por volta
de 1916, se tornar num verdadeiro café. Até 1933, seria o poiso
obrigatório de numerosas celebridades do mundo da cultura. Para
só citar os nomes mais conhecidos fora da Alemanha: Otto Dix,
George Grosz, John Heartfield, Emil Orlik, Max Beckman, Christian
Schad (veja-se abaixo a sua Sonja sentada no Café Românico),
Max Herrmann-Neisse (escritor e boémio retratado por todos os
artistas da época), Bertolt Brecht, Kurt Weill, Erich Maria Remarque,
Franz Werfel, Kurt Tucholsky, Alfred Döblin, Heinrich Mann,
Vladimir Nabokov, Erich Kästener (o autor de Emílio e os
Detectives
), Joseph Roth, Oskar Kokoschka ou os cineastas Fritz
Lang, Ernst Lubitsch  e Samuel Wilder - o futuro Billy Wilder.


Esplanada coberta do Café Românico, 1925


Café Românico, 1930

O pintor Christian Schad, um dos cavaleiros da Nova Objectividade,
retratou a sua amiga Sónia fumando Camel por boquilha, sentada
no Café Românico, em 1928, de costas voltadas para o calvo
escritor Max Herrmann-Neisse, verdadeira peça de mobília do café,
de que o pintor apenas permitiu que se visse a orelha e uma nesga
do crânio. Sónia (Sonja), amiga de Schad, secretária de profissão
e modelo nas horas vagas, foi declarada pelo pintor rainha de
beleza do Café Românico.


Christian Schad, Sónia no Café Românico, 1928


Lesser Ury, Rapariga no Café Românico, 1911

Outra mulher sentada num café berlinense pelo mesmo Ury


Lesser Ury, Rapariga sentada num café, 1924

Tal como a clientela do Café Megalomania (alcunha importada,
recorde-se, de um célebre café de Viena), os habitués do Café
Românico também tinham uma grande ideia de si próprios. Veja-se
esta composição gráfica da época.



“Romanisches Café: sala de espera do génio e bolsa do artista.”

O café era também muito frequentado por intelectuais e artistas
judeus, entre os quais alguns dos acima já mencionados. Num
ambiente tendencialmente progressista, não podiam também faltar
os salonkommunisten, os comunistas de salão, que elegeram o
Café Românico como seu quartel general, a um pulo dos grandes
armazéns KaDeWe, Kaufhaus des Westens (inaugurado em 1907),
onde os revolucionários compravam as boas camisas e melhores
papillons com que combatiam nas fileiras anti-capitalistas.

Em Março de 1927, seis anos antes do triunfo de Hitler, o café foi
alvo de uma multidão de caceteiros nazis amotinados que
percorreram a avenida Kurfürstendamm lançando ataques e
provocações. Ao chegarem junto do Romanisches Café, um bando
de “camisas castanhas” entrou no estabelecimento e agrediu os
supostos judeus e comunistas que lá se encontravam.

Sob o regime de Hitler, o café entrou rapidamente em decadência,
perdendo a sua cientela de artistas e escritores e o clima de
liberdade que ali sempre se vivera. Muitos tiveram de emigrar e,
quando não o fizeram - caso de Otto Dix, Karl Hubbuch e Erich
Kästener - foram perseguidos, vendo as suas obras queimadas
em autos da fé ou incluídas em listas de “arte degenerada”.

Um bombardeamento britânico em 1943 deixou o edifício do café
em ruínas, bem como a igreja fronteira e toda a Praça Augusta
Victória, como foi acima dito. Foi a paga, diz-se, pela destruição do
bairro e Catedral de Coventry pelos alemães, num ataque aéreo que
ficou para a história como o
Coventry blitz.



Deutsche Fotothek
Ruínas do Romanisches Café em 1946, vistas das ruínas da igreja fronteira

Um ano antes da tomada de poder por Hitler e onze anos antes de ser
destruída pela aviação inglesa, era assim a imponente igreja que se
situava em frente do Café Românico (repare-se no último prédio do
lado direito da rua, com um torreão mais baixo, que é o edifício do
café).


Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche (Igreja Memorial do Imperador Guilherme) em 1932

Depois da guerra, a igreja destruída ainda tinha muita parede de pé.

Veja-se abaixo o seu estado em 1953, sob um manto de neve.


Kaiser Wilhelm Kirche, 1953

Depois optaram por conservar só a torre principal, demolindo o resto
e construindo umas modernices dos lados, obtendo-se desse modo
um conjunto horrendo, mas muito fotografado pelos turistas. Dois
poliedros de cimento, o mais baixo parecendo um galinheiro e o
mais alto um pombal. No meio, o “dente furado”, como a gíria
berlinense baptizou aquele resto de torre.


Arquitectura modernista a cavalo sobre neo-românico em ruínas

Curiosamente, estes pombais de betão só têm mais 60 anos do que
a igreja em ruína! A minha modesta proposta era que deitassem
tudo abaixo e fizessem uma nova igreja. Ou um jardim e um lago 
com cisnes no meio.

Porque não deixaram antes ficar as ruínas como estavam em 1953?
A reconstrução teria sido possível a prazo, como aconteceu com a
Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) de Dresden, que foi
reinaugurada solenemente em 30 de Outubro de 2005.


Frauenkirche, Dresden, 2005

Abaixo, como esta igreja era em 1935:


Frauenkirche, Dresden, 1935

E como ficou em 1945, depois de destruída pelos bombardeiros
ingleses:


Frauenkirche (primeiro plano), Dresden, 1945

© Texto de José Barreto

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Sunday, October 14, 2007

xxiv - Karl Hubbuch


Os cafés de
Karl Hubbuch


Karl Hubbuch - Auto-retrato


Karl Hubbuch, Berliner Kaffeehaus, 1924


Karl Hubbuch - Café Au Départ, ca.1960


Karl Hubbuch (1891-1979), natural de Karlsruhe, foi um pintor,
desenhador, aguarelista e gráfico alemão associado à Neue
Sachlichkeit,
Nova Objectividade, movimento artístico nascido
nos anos 20 do expressionismo, mas em ruptura com ele.


Karl Hubbuch, A nadadora de Colónia, 1925

Hubbuch estudou em Karlsruhe (1908-12), onde fez amizade com
o pintor Rudolf Schlichter, e em Berlim (1912-14), debaixo da
orientação de Emil Orlik, na Academia do Museu de Artes e Ofícios,
onde conheceu George Grosz. Prestou serviço militar durante a
Grande Guerra (1914-18), contraindo malária. Em 1922 e 1924
trabalhou em Berlim. Em 1925, participou com George Grosz,
Otto Dix e Rudolf Schlichter na primeira exposição da Neue
Sachlichkeit
, na cidade de Mannheim. Esta sala de aula optimista
e arejada, quase idílica, é desse mesmo ano.


Karl Hubbuch, Sala de aula, 1925

Nas vésperas do nazismo, Hubbuch pinta num registo muito diferente.
No “Vendedor de violetas”, aqui em baixo, a realidade é angustiante,
esmagadora e a esperança desapareceu. Nem as violetas se vêem
(pode ser da foto).


Karl Hubbuch, Vendedor de violetas, 1930-32

Hubbuch era, como Grosz, Dix e Schlichter, muito crítico da ordem
social, económica e política da República de Weimar. Embora
menos abertamente do que o primeiro, a sua arte reflecte igualmente
a total oposição ao nazismo. Nos anos 20 e princípio de 30 publica
desenhos satíricos em várias revistas, sendo um dos fundadores da
revista Zapko. Em 1932 publica uma colecção de 40 desenhos sob
o título Deutsche Belange, “Preocupações alemãs”. A essa colecção
pertence o desenho seguinte, intitulado “Nem para uma chega”,
pertencente a uma série de “Dificuldades pecuniárias”. O homem
com falta de liquidez é o poeta expressionista, dramaturgo e crítico
Max Herrmann-Neisse, figura boémia cimeira da Berlim e um habitué
dos cafés literários nos anos de Weimar.


Karl Hubbuch, Nem para uma chega, 1925-27 (desenho à pena original)

Em baixo, o mesmo Max Herrmann-Neisse numa pose mais selecta,
por George Grosz, 1927

Em 1933 Hubbuch perde o emprego de professor na Academia de
Arte de Karlsruhe e a Gestapo proibe-lhe de pintar, tal como aos seus
amigos Grosz e a Dix. Sob o regime de Hitler pinta cerâmica e relógios
de cuco para sobreviver. Regressa à Academia de Karlsruhe como
professor em 1947. É redescoberto como desenhador e gravurista nos
anos 60-70 e morre em 1979.

Nas cenas de café aqui em baixo, temos três facetas de Hubbuch: o
excelente desenhador a pender para a caricatura no retrato de Lissy,
o pintor crítico social e, enfim, o autor de sketches ultra-rápidos em
qualquer lugar onde se encontrasse.


Karl Hubbuch, Lissy im Café, 1930-32

A cena do Romanisches Café (Café Românico), com os proletas de
nariz encostado à vidraça e um interior a lembrar obras de Grosz,
não necessita de comentário, a não ser sobre o próprio café
berlinense que, juntamente com o Café des Westens (ou
Megalomania), foram os mais frequentados nas primeiras décadas
do século XX por jornalistas, literatos, artistas e pessoas do teatro
e cinema, vulgo boémios. As pessoas de caras sórdidas, simiescas
e alvares que Hubbuch representa nesta pintura nada têm a ver com
a clientela que realmente caracterizou e celebrizou o mais importante
café literário e artístico durante a República de Weimar.


Karl Hubbuch, Im Romanischen Café, 1925-30


Karl Hubbuch, Pessoas em café, s.d.

As obras directamente políticas de Hubbuch são mais raras e menos
directas do que as de George Grosz. A pintura Aufmarsch II, de
1933-35, representa o desfile vitorioso dos nazis numa cidade
muralhada, perante todos os sectores da sociedade, que assistem
estáticos ao cortejo, numa atitude de fascínio, perplexidade ou
indiferença. A incompreensão e o desgosto do artista pelo triunfo
do nazismo levam-no a não representar qualquer manifestação de
entusiasmo popular.


Karl Hubbuch, Aufmarsch II, 1933-35

Abaixo, uma anterior litografia do autor, de 1925-1927, também
intitulada Aufmarsch (Desfile), com um tema algo semelhante,
representando, no centro, os nazis juntamente com os militaristas,
num rumo hostensivamente diferente tanto das classes populares,
em baixo, como das classes conservadoras e burguesas guiadas
pela Igreja, em cima. Esta obra antecede de meia dúzia de anos o
advento do nazismo.


Karl Hubbuch, Aufmarsch, litografia, 1925-1927

Para que não se fique com a ideia de que Hubbuch só se dedicava
à crítica social e política, veja-se esta obra muito avançada de 1927,
intitulada “Trigémeas”, feita com uma só modelo em três posições.
O quadro foi vendido em 2002 pela Sotheby’s por 150.000 libras,
soma de dinheiro que Hubbuch possivelmente não ganhou com o
trabalho de toda a sua vida. Se eu tivesse essa massa,
comprava-o eu!


Karl Hubbuch, Drillinge, 1927

Na pintura seguinte, Hubbuch usa também uma só modelo - a sua
mulher Hilde Hubbuch (1905-1971), fotógrafa aluna da Bauhaus - para
um retrato duplo. Hilde, Isai de nascimento, judia, teve de
fugir ao nazismo em 1933. Foi para Nova Iorque, onde continuou a
fazer fotografia, mas de onde já não regressou.


Kar Hubbuch, Retrato duplo de Hilde, ca. 1929, Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid

Karl Hubbuch retratou-a também com objectos de design moderno
nos dois desenhos seguintes. No primeiro Hilde está sentada na
cadeira tubular do designer húngaro Marcel Breuer, colega e amigo
dela na Bauhaus (a cadeira da pintura anterior também é de Breuer,
por sinal). A bicicleta no chão, ao lado da cama, está lá só para ficar
na foto, mas não entendo porquê. Por coincidência, a estrutura tubular
desta cadeira de Breuer, desenhada em 1925-26, foi inspirada nos
guiadores da famosa bicicleta Adler. As cadeiras tubulares de Breuer
são anteriores às de Mies van der Rohe.

.
Karl Hubbuch, Hilde com secador, bicicleta e cadeira Breuer, 1928-29

No segundo desenho, temos Hilde a limpar o pó a um candeeiro
Bauhaus, junto da cadeira Breuer, novamente. Ou a casa era pequena
ou Hilde tinha uma panca pela cadeira. Ou pelo autor dela. Ou ambas
as três coisas.


Karl Hubbuch, Hilde com candeeiro Bauhaus, 1926

© Texto de José Barreto

Posted by J.B. in 23:27:34 | Permalink | No Comments »

xxiii - Ludwig Meidner

Os cafés de Ludwig Meidner


Ludwig Meidner - A Minha Face Nocturna, óleo, 1913

Nascido em 1884, em Bernstadt, na Prússia, Ludwig Meidner foi
um pintor, desenhador, artista gráfico e escritor expressionista
alemão de origem judaica, autor, a partir de 1912, das célebres
“Paisagens Apocalípticas”, uma série de óleos que antecipam os
horrores da Grande Guerra. São nítidas na sua obra as influências
iniciais de Van Gogh e dos futuristas italianos. Chagall achava-o
uma artista talentoso, mas “maluco”. Meidner retratou a mulher
de Chagall, Bella.


Ludwig Meidner, Bella Chagall, 1922

Depois de abandonar a profissão de pedreiro em 1902, Meidner
estuda arte em Breslau e Paris, regressando em 1908 a Berlim.
Desde 1909 frequenta assiduamente o Café des Westens, mais
conhecido por Café Megalomania, local de encontro de artistas e
escritores de vanguarda. Vive na maior pobreza, mas em 1911 recebe
uma ajuda financeira importante dum benfeitor anónimo. Nos anos
seguintes desenha e pinta inúmeras cenas de cafés, inclusive auto-
retratos. É soldado de 1916 a 1918, experiência de guerra sobre a
qual publica dois livros anti-militaristas por ele próprio ilustrados.
Em 1922 repudia o expressionismo e vai-se tornando cada vez mais
religioso e centrado sobre a sua condição judaica, procurando
conciliá-la com o cristianismo e o socialismo. A sua arte toma uma
feição mais realista e convencional. Em 1937, são confiscadas pelas
autoridades nazis 84 das suas obras existentes em colecções
públicas. Três obras suas, incluindo um auto-retrato, figuram
nesse ano na exposição nazi de “Arte degenerada”, em Munique.
Em 1939 foge para Londres com a mulher, a pintora Else Meyer,
sendo internados na Ilha de Man, nos primeiros anos da guerra,
em virtude da sua nacionalidade. Fica, depois, em Londres até
1953, regressando então à Alemanha, mas sozinho.


Ludwig Meidner, Else, 1930

Ludwig Meidner morre em Darmstadt em 1966, três anos depois
de realizar as suas primeiras exposições importantes desde 1918,
o que lhe permite ver ainda a sua obra reconhecida publicamente
e galardoada pelo Estado alemão.

As duas primeiras cenas de café aqui reproduzidas são auto-
retratos, de uma densidade gráfica a raiar a saturação, no auge
da sua fase expressionista.


Ludwig Meidner, Auto-retrato no Café König de Dresden, 1914


Ludwig Meidner, Auto-retrato em Café, 1913

As obras seguintes são aguarelas da fase londrina pós-segunda
guerra, entre 1944 e 1952. São cenas de café e de pub com uma
atmosfera por vezes grotesca, de técnica ora realista, ora
surrealista. Na primeira, ele figura-se a si próprio, na retaguarda,
com cornos de veado.
Repare-se na preocupação de Meidner em
representar, em todas as obras aqui trazidas (incluindo as de
1913-14) as fontes de luz eléctrica, algo de comum tambem em
Grosz .


Ludwig Meidner, Coffeeshop, Londres, 1944


Ludwig Meidner, Café, Londres, 1946


Ludwig Meidner, Grotesque Café Scene, London, 1947


Ludwig Meidner, Café, Londres, 1948


Ludwig Meidner, Café, Londres, 1948

© Texto de José Barreto


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