lxi - Drug cafés

O Bulldog Coffeeshop, o mais antigo ‘cannabis coffeeshop’
de Amesterdão, à beira do canal.
A Holanda tem a legislação mais liberal da Europa relativamente
ao consumo de marijuana. Isso torna o país, situado no coração
da Europa mais desenvolvida, num destino privilegiado do
chamado ‘turismo da droga’. Os turistas em causa vêm de todo
lado, inclusive da América, mas a Bélgica, a Alemanha e a
França fornecem o grosso dos visitantes. A droga vende-se em
cafés, ou lojas parecidas com cafés, chamadas “coffeeshops”.
O Bulldog Coffeeshop foi o primeiro a abrir, em 1975

Entrada e micro-esplanada do Bulldog Coffeeshop,
fundado em 1975.

Outra vista do mesmo
Em toda a Holanda contam-se cerca de 700 “coffeeshops”,
onde se pode consumir ou comprar até cinco gramas de
canabis. Amesterdão é a cidade mais famosa por estes
cafés ou pseudo-cafés, mas Maastricht, no Sul da
Holanda, tem a particularidade de ficar numa ponta do
território holandês encravada entre a Bélgica e a Alemanha,
a minutos das respectivas fronteiras. É como se Badajoz
ficasse no concelho de Loures e os lisboetas fossem
danadinhos por caramelos…

Os ’coffeeshops’ City Hall e Green House, em Amesterdão.
Segundo um funcionário municipal de Maastricht, cerca de quatro
milhões de estrangeiros visitam por ano a província holandesa de
Limburg com o fim de comprarem erva ou haxe nos coffeeshops.
Se é permitida a comparação, trata-se de um número idêntico
ao de peregrinos nacionais ou estrangeiros que anualmente
demandam o Santuário de Fátima. O objecto da devoção é que é
um pouco diferente.

Os americanos não adoram ser fotografados nos coffeeshops de
Amesterdão.
O Coffeeshop flutuante Mississippi, em Maastrischt, também
conhecido por ‘Smoky Boat’
A coisa atingiu tais proporções, que o presidente do município
de Maastricht quer limitar a partir de 1 de Janeiro de 2010
o consumo a 3 gramas por pessoa/dia e transformar os 30
‘cafés canabis’ da cidade em clubes abertos só a membros,
para manter os estrangeiros à distância. Só com cartão do
clube é que os clientes vão poder comprar passa e será
obrigatório o pagamento com cartão bancário.
A legalidade da coisa foi logo posta em causa, sob pretexto
que se trata de uma medida discriminatória dos estrangeiros,
mas o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, a que
o governo holandês dirigiu uma consulta, só se deve pronunciar
lá para o fim de 2010. Não é só a justiça portuguesa que é lenta…

Em Roosendaal, o município quer fechar estes três cafés
Outros municípios holandeses estão a projectar o encerramento
de parte dos ‘cannabis coffeeshops’ que proliferaram nas últimas
décadas, como modo de combater o crime e evitar o turismo
indesejável. O problema é se os outros comerciantes vão gostar
de tais medidas. Estamos a falar de milhões de pessoas e de
muitas centenas de milhões de euros deixados na Holanda!